Porto Velho enfrenta uma grave crise na coleta de lixo que afeta a capital e distritos. Enquanto o acúmulo de resíduos se espalha por diversos bairros, a Prefeitura Municipal determinou que a empresa Eco PVH concentre o serviço de coleta em apenas algumas ruas, deixando grande parte da população sem atendimento adequado.
A situação tem gerado revolta entre moradores que não entendem por que a gestão municipal continua apoiando a empresa responsável pelo serviço, mesmo diante das recomendações técnicas contrárias recebidas de órgãos fiscalizadores.
“É inadmissível que a gente pague impostos e fique com lixo acumulado na porta de casa por dias. Enquanto isso, a Prefeitura continua protegendo a empresa que não cumpre o contrato”, desabafou Maria Santos, moradora do bairro Nacional, onde o lixo não é coletado há mais de uma semana.
Segundo moradores de diversos bairros, a Eco PVH tem priorizado a coleta em regiões centrais e em alguns bairros específicos, deixando as periferias e distritos completamente descobertos. O acúmulo de resíduos tem atraído animais, gerado mau cheiro e colocado em risco a saúde da população.
A crise na coleta de lixo não é recente. Há meses, Porto Velho convive com o problema que se agravou significativamente nas últimas semanas. Organizações de defesa do consumidor já emitiram recomendações para que a Prefeitura rescinda o contrato com a Eco PVH e contrate emergencialmente outra empresa.
No entanto, a gestão municipal tem ignorado sistematicamente essas orientações e continua renovando prazos e dando oportunidades para que a empresa regularize o serviço, o que nunca acontece de forma satisfatória.
“Por que as recomendações técnicas são ignoradas? Por que a Prefeitura insiste em manter uma empresa que claramente não tem capacidade operacional para atender a cidade? Essas são perguntas que a população merece ter respondidas”, questionou o vereador de oposição Carlos Mendes durante sessão na Câmara Municipal.
A Eco PVH, por meio de nota, afirmou que enfrenta “dificuldades operacionais temporárias” e que está trabalhando para normalizar o serviço. A empresa alegou problemas com veículos quebrados e falta de mão de obra, mas não apresentou prazo para solução definitiva.
A Prefeitura de Porto Velho, por sua vez, informou que está “acompanhando de perto a situação” e que aplicará multas contratuais caso a empresa não cumpra os prazos estabelecidos. No entanto, não há informações sobre rescisão contratual ou contratação emergencial de outra prestadora de serviço.
Especialistas em saúde pública alertam que o acúmulo prolongado de lixo pode causar proliferação de doenças como dengue, leptospirose e outras infecções. A situação é especialmente preocupante no período de chuvas que se aproxima.


