Após ser alvo de críticas, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) negou ter sugerido a troca do Pix pelo Zelle, um meio de pagamento usado nos Estados Unidos.
O que aconteceu
Na quarta-feira, Eduardo disse que os EUA têm “mecanismos semelhantes ao Pix”. “O Pix dos Estados Unidos é o Zelle. Então, dá para você ir para a mesa de negociação dos americanos com bons argumentos. Dá para sentar, dá para negociar. Eles têm interesses que se complementam, como terras raras”, afirmou em entrevista à rádio TMC.
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A declaração repercutiu mal, o que fez com que Eduardo fosse às redes sociais para se explicar. Em vídeos publicados nas redes sociais, ele exigiu “retratação” de veículos de imprensa que divulgaram a informação de que ele teria sugerido a troca do sistema brasileiro pelo Zelle. “Jamais falei em substituir o Pix. Sou pró-Pix e desafio a Globo e demais jornais a se retratarem”, disse.
Ex-deputado afirmou ainda que o Pix foi criado por Jair Bolsonaro, o que não é verdade. O Banco Central iniciou o processo de criação da plataforma em 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
O Pix começou a funcionar em 2020, durante o governo Bolsonaro. No entanto, a ideia surgiu em 2016. A equipe de servidores do BC produziu um relatório no âmbito do BIS (Banco de Compensações Internacionais) sobre os benefícios e possíveis desenhos de sistemas de pagamentos instantâneos. As discussões se ampliaram em 2017, por meio de estudos realizados em parceria com agentes do mercado financeiro.
Trecho em que Eduardo compara Pix ao Zelle está sendo compartilhado por petistas. Apoiadores do presidente Lula (PT) repassaram a entrevista sob o argumento de que o ex-deputado e o irmão Flávio Bolsonaro (PL), presidenciável, estão “em conluio” com o governo norte-americano contra o sistema brasileiro. Os Estados Unidos citaram Pix 20 vezes no documento do novo tarifaço contra o Brasil.
Pix é público e gratuito; Zelle é privado. Lançado em 2017, o sistema americano pertence a um consórcio privado (Early Warning Services), controlado por grandes bancos. Além disso, a ferramenta não cobre todo o território dos Estados Unidos e nem funciona fora do ecossistema bancário aderente.
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